terça-feira, 24 de setembro de 2013

Micaela


Em um projeto missionário da UAP eu participei de uma semana de oração em Campo Grande, uma cidade bem pequena no norte da Argentina. Aprendi muitas coisas, e tenho a certeza que Deus esteve comigo, mas gostaria de me focar em um momento em especial. Sábado durante a tarde, os irmãos da igreja reuniam as crianças carentes da cidade e lhes davam de comer e ensinavam as lindas histórias da Bíblia para elas, eles chamam esse projeto de “Merendeiro”, mas as crianças chamam de “Igreja”.
No merendeiro no meio de muitas crianças, uma me chamou a atenção. Uma menina chamada Micaela (pseudônimo) que mora somente com seu pai, que digamos por aí, “gosta de uma cachaça”. Eu comecei a prestar atenção nela porque mesmo quando estava brincando com seus amigos tinha sinais de tristeza no rosto que qualquer laico no assunto de emoções poderia perceber, isso significa que a maior parte do tempo ela se sente muito triste (isso ocorre com pessoas de idade que por toda uma vida tiveram uma emoção muito predominante, mas a menina tinha por volta dos 5 anos).
Resolvi tentar descobrir qual a história desta simples menina, e pude descobrir que nos últimos três dias ela não tinha comido e que tudo o que normalmente os pais fazem para os filhos (limpar, cozinhar, lavar roupa, etc), ela fazia para o pai. Foi aí então que eu pude entende porque os traços de tristeza estavam tão fortes em seu rosto.
Comecei a pensar em todos os problemas que temos em nossas vidas e nenhum chegou perto da realidade de Micaela. Quantas vezes que reclamamos de nossas vidas sem pensar, quantas vezes reclamamos porque temos pouca roupa ou sapatos, porque a comida não está boa, ou simplesmente porque não temos nada do que reclamar e inventamos problemas e dificuldades, simplesmente fazemos tudo isso de “boca cheia”.
Que nesse dia nós possamos agradecer a Deus por todas as coisas, mesmo que aos nossos olhos sejam poucas.
(Essa não é uma foto de Micaela, para a preservação de sua imagem)

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