"Orai sem cessar" I Tessalonicenses 5:17
Estou morrendo, me sinto sufocado, não importa o ar que eu respiro, meus
pulmões continuam esmagados e pedindo uma respiração mais forte, e o pior de
tudo é que só fui entender a gravidade de tudo isso quando passei por uma experiência
simples mas completamente comovente.
Há alguns meses atrás meu tio descobriu que estava com um tumor em seu crâneo,
e começou um tratamento de quimioterapia e radioterapia, e para isso acontecer
é necessário que ele viaje durante a semana para Curitiba, uns 300 km de
Bombinhas, e volte apenas nos finais de semana, deixando assim seus três filhos
com os parentes.
Semana passada minha família e eu ficamos e cuidamos de uma de suas
filhas de apenas 2 aninhos de idade, mas com uma inteligência exclusiva. Em meio
a suas bagunças e travessuras é possível encontrar nela uma menina com um
futuro brilhante.
Mas quero me focar em um momento exclusivo. Em uma manhã logo depois de
acordarmos, fomos tomar café e antes mesmo de começar a servir a comida, minha
prima começa um diálogo gritando.
– TEM QUE ORAR!
– Ok, vamos orar. –
Respondi, juntando nossas mãos e fechando os olhos continuei. – Papai do céu...
– EU FALO! – Me interrompe
com outro grito. E como se fosse gente grande ela fecha os olhos e continua.
– Papai do céu, por
favor, cura meu papai porque ele “tá” muito “doenti” e precisa que você ajude
ele. AMÉM!!
Foi então que senti uma falta de
ar, não em meus pulmões, mas em minha alma, pois percebi que minha prima de
três anos, conseguia ser mais sincera com Deus do que eu. Ela não seguiu
protocolos e nem fórmulas nem mesmo orou pelo alimento. Mas percebi que nada
disso importava porque ela estava fazendo a única coisa que realmente tem valor
em uma oração, com um simples “Papai do céu...”, ela conseguiu abrir seu
coração!
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